Arquivo da tag: o poder do perdão

O Poder do Perdão

Esta é uma história real que aconteceu comigo. Eu tinha 22 anos, era engenheiro recém-formado e fora contratado por Furnas o melhor e mais cobiçado emprego para engenheiros eletricistas na época, estava muito feliz. Um dia o Diretor de Recursos Humanos me chamou ao gabinete dele e fez-me um convite para eu ir lecionar duas cadeiras, eletrotécnica e hidrologia e recursos hídricos, no Centro de Treinamento Básico (CTB) de Furnas, um curso que é aberto a todos os colaboradores de qualquer função que busquem mudar de função ou mesmo conquistar um melhor salário…mas para ter direito precisa passar com média geral de 7,0 valores o que equivale a 14 valores em Portugal….quem não passar volta para seu posto de trabalho. Bem aceitei o desafio e fui para Passos, Minas Gerais, Fiquei numa casa de visita, com todo o conforto, e as refeições fazia no hotel que lá existia e era um espetáculo…Um dia pedi ao gerente do hotel para ligar para o Rio de Janeiro e dizer para meus amigos da grandeza desta obra que nasceu no governo JK (Juscelino Kubitschek)…A produção da Usina Hidrelétrica de Furnas representaria então mais de um terço de toda a energia gerada no país, fundamental para o desenvolvimento industrial planejado por JK. A formação da represa ocorreu em 1961 e a inauguração oficial em 1965. Mas, voltemos ao telefonema do hotel, que pertencia a Furnas, falei com meus amigos, agradeci ao gerente e voltei para a casa de visitas para preparar as aulas que começariam daí a poucos dias…Nessa noite recebi um telefonema do Diretor dizendo que o gerente do hotel apresentou queixa de eu usar o telefone do hotel para fins particulares…me pediu para não mais fazer ligações do hotel e que poderia fazer uso do telefone do escritório da Usina quando o desejasse…Na hora fiquei muito aborrecido……porque ele fez isso?….poderia ter falado que era proibido o uso do telefone….Depois pensei que o custo da ligação que fiz seria debitada na conta do hotel….Deixei para lá e não fui reclamar da atitude do gerente que não sabia que eu seria o instrutor do curso que iria mudar a vida de muitos deles, apenas sabia que era engenheiro da empresa….Afinal chegou o dia do início do curso…muitos dos participantes já tinham mais de 40 anos e me olhavam como se pensassem esse professor é muito novo….Eram várias turmas e numa delas quem estava sentado no fundo da sala?….isso mesmo o gerente do hotel que fizera queixa de mim para o Diretor….mas fiz de conta que não sabia de nada e fui dar o curso…depois de muitos dias e aulas chegou afinal a hora de fazerem a prova que poderia mudar o destino de suas carreiras e vidas….Avisei para fazerem com calma a prova, se não soubessem uma questão que passassem à próxima, pois a nota para passar no curso seria 7,00 num total de 10,00 valores (ou 14 num total de 20). A essa altura eu já conhecia cada um pelo nome,  sabia se eram casados, quantos filhos tinham e em que função trabalhavam…desejei boa sorte e no dia seguinte daria a nota de cada um e muitos com certeza iam ter uma grande alegria…outros infelizmente não…e assim fui dando o resultado as turmas…até que chegou a turma do gerente do hotel, era dos mais humildes de formação ainda por cima tinha très filhos para sustentar…todos foram saindo alegres ou tristes e eu deixei o gerente por último então o chamei à mesa e falei o Sr sabe que precisa de 7,0 para conseguir o novo cargo, mas antes de lhe dizer a sua nota, quero lhe dar um exemplo de um jovem que tem a metade da sua idade e como devemos proceder em tomada de decisões no trabalho ou na vida, o Sr decidiu fazer queixa de mim à diretoria e eu decidi o seguinte peguei a prova dele e juntos contamos 6,00 pontos aí pedi que pegasse a caneta dele e respondesse a pergunta : qual é a turbina que é utilizada em quedas de até 60 metros ? o Sr esqueceu pois o nome é difícil de guardar…então escreva turbina Kaplan….isso mesmo agora o Sr tem 7,00 e vai mudar a sua vida e a de sua família, mas vai me prometer que à partir de agora vai pensar duas vezes antes de agir e não prejudicar ninguém…apenas ajude quem puder e assim cada vez mais portas se abrirão em sua vida como aconteceu hoje…Eu sou muito feliz…tenho uma maravilhosa família que sempre me ensinou a respeitar o próximo, ter humildade e que só cresce quem faz crescer os outros…Seja feliz e pratique o perdão…

anjo

Perdoar faz bem à saúde

Segundo Fred Luskin, diretor do Stanford University Forgiveness Project,  propõe: perdoar é a experiência de poder estar em paz, independentemente do que aconteceu na nossa vida há cinco minutos ou há cinco anos. ´Perdoar não é esquecer, é viver tranquilamente com o que não se esquecerá. Tal como é estudado na psicologia, perdoar é um ato de amor e compaixão para com alguém cujo procedimento nos magoou, mas também uma forma de nos libertarmos de sentimentos de vingança e ressentimento, que geram emoções negativas, diz a psicóloga Catarina Rivero. É  também importante, no entanto, perceber aquilo que o perdão não é: não se trata de esquecer ou aceitar as injustiças que nos são dirigidas. É um processo de olhar para além dos atos e comportamentos dos outros, centrando-se na importância da nossa libertação emocional, recusando ser prisioneiros que podem ser destrutivas, continua Rivero. Expressão chave a reter: emoções que podem ser destrutivas. O rancor é cansativo. Desgastante. Suga força e energia. De tal forma que, no limite, pode pôr-nos doentes, não só psicológica e emocionalmente, mas também fisicamente. A boa notícia é que, na realidade, como a falta de paz e de rancor são provocados por nós, não pelo outro, não dependemos de ninguém para remediar a situação. A investigação tem vindo a demonstrar correlações positivas como maior bem-estar subjetivo (geralmente considerado felicidade), menores níveis de depressão e ansiedade, bem como menor abuso de substâncias, quando se perdoa. Verifica-se ainda uma maior tendência para maior harmonia ao nível das relações familiares. Impõe-se um parêntesis que contextualize estes e outros estudos sobre o perdão realizados na área da psicologia positiva. Sobretudo, para que nada disto se confunda com algumas crenças desprovidas de bases científicas características da filosofia new age. Na realidade, a psicologia positiva nasce de uma contestação que só peca por tardia: a psicologia há décadas que se dedicava e investigar quem estava deprimido, quem tinha fobias, quem não superava traumas e todas as outras pessoas com as quais alguma coisa não estava bem. No entanto, não sabia nada sobre as pessoas funcionais, aquelas que, apesar dos reveses da vida, estavam mentalmente saudáveis, eram otimistas e conseguiam ser felizes. Estudos relacionam maior bem-estar e menores níveis de depressão e ansiedade com o ato de perdoar…Foi o psicólogo Martin Seligman, algures no não muito longínquo ano de 1998, durante a sua presidência da American Psychological Association, que começou a chamar a atenção para esse assunto, perguntando qual o sentido de insistirem em centrar a psicologia só no transtorno, na disfuncionalidade, na doença. Assim começou a ganhar expressão um novo campo de investigação, a psicologia positiva, que olha para as pessoas não só nas suas limitações e dificuldades , mas também nos seus sucessos: na superação das adversidades, nos recursos de que se valem, nos processos de adaptação positiva que fazem. E adivinhem: temos aprendido muito com isso. Por exemplo, que o perdão pode ser terapêutico. Um estudo chamado : Perdão e Saúde Física realizado pela Universidade de Wisconsin, demonstrou que perdoar pode ajudar os indivíduos de meia idade a evitar doenças cardíacas, outro, levado a cabo na Universidade de Stanford, mostrou que o perdão pode promover uma diminuição significativa de sintomas como insônias, náuseas, falte de apetite e dores de cabeça e das costas.Perdoar não é fácil. Talvez porque nas nossas cabeças o foco do perdão está no outro, não em nós. E repare-se como a lógica subjacente a não perdoar tende a ser tautológoca : não perdoamos porque o que foi feito é imperdoável. Mas a realidade é que por detrás da  rejeição ao perdão estão muitas vezes crenças poderosas acerca do que ele representa:  humilhação, fraqueza, perpetuação da injustiça. Somos levados a pensar que perdoas é abrir a porta a uma nova ofensa, é ser palerma, bonzinho, ingênuo ou até ter falta de coragem e de determinação. E assim vamos sustentando e alimentando a raiva. No entender de Helena Marújo, professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, cuja principal área de investigação é a psicologia positiva, a tendência anti perdão é também uma tentativa de luta contra o esquecimento. O preconceito emerge porque receamos, e muitas vezes com razão, que o perdão apague da nossa memória individual e coletiva , as injustiças, as violências, as desumanizações. Para uma espécie racional como a nossa , o sentido de evolução é essencial, se achamos que ao perdoar passamos uma borracha sobre o dano, temos medo de que esse perdão não nos leve a essa melhoria, que nos assegura também mais hipóteses de sobrevivência. Pensamos também, por vezes, que perdoar é perder poder, numa situação em que muitas vezes já nos sentimos sem poder. Mas perdoar não é e nem deve ser esquecer. Na verdade, trata-se sobretudo de parar de escarafunchar na ferida e deixar que a cicatriz se forme. Seligman, o pai da psicologia positiva, defende que o perdão não faz mais do que enfraquecer o poder que os acontecimentos negativos têm de provocar raiva e amargura. E permite reescrever a história e renovar a memória.Perdoar é sempre ser protagonista de uma nova história. Deverá ser uma tomada de decisão determinada, que é muitas vezes libertadora, desconstrutora de narrativas e histórias de vida rigidificadas, que só se renovam com o perdão. Podemos afastar-nos e proteger-nos de quem nos feriu, humilhou, destruiu, manipulou, trouxe sofrimento e ao mesmo tempo perdoar. A investigadora conta que, num exercício com alunos da universidade, em que estava envolvida e experiência da escrita privada de uma carta de perdão ( a si ou a outrem, à escolha do próprio), uma descoberta foi precisamente a de poder olhar para um passado doloroso e arruinado, como o de um pai que se suicidou, o de um marido que maltratava, o de uma avó que nunca aceitou um neto com deficiência, e reescreve-lo de uma forma não vitimizadora mas vitoriosa.. Assim se criam novas memórias e, ao mesmo tempo, um novo futuro. Não é que a maldição se transforme numa bênção, mas já dizia Martin Luther King que o perdão é um catalisador para uma nova partida, para um reinício. E às vezes é disso que precisamos. Como perdoar: Com base nos estudos de Robert Enright, cofundador do International Forgiveness Institute, Catarina Rivero faz notar que o processo de perdão é um caminho que começa sempre pela dor e pelo reconhecimento de que temos direito a sentir mágoa, tristeza ou mesmo revolta, mas que implica também a capacidade de compreende que os outros falham, mesmo que não aceitemos essa passagem de limites. As quatro fases deste processo – que podem levar diferentes tempos, de acordo com as circunstâncias e as vicissitudes da situação e da relação específica são :-Desocultação da raiva, considerando a sua influência na nossa vida…-Decidir perdoar a partir de dentro e no tempo de cada um…-Trabalhar o perdão desenvolvendo empatia e compaixão…-Descobrir e libertar-se da prisão emocional

texto Sofia Teixeira

Que em 2016 o Perdão tenha um lugar especial em seu Coração.

anjo

 

 .