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Amor Paterno

Certo dia o dekassegui Carlos foi chamado ao escritório da fábrica onde trabalhava. O chefe lhe diz que recebeu um telefonema de uma loja de Tokyo, no qual o balconista pede para que o pai de Carlos pague 70 mil yens o mais breve possível, sob pena de ser feita uma queixa na polícia. Carlos não entende do que se trata. Aos poucos, porém, lembra que seu velho pai esteve naquela cidade semanas atrás comprando um aparelho de surdez. Naquela oportunidade, segundo as palavras do seu velho pai, poderia testar o aparelho durante um mês. Caso gostasse, mandaria o dinheiro pelo correio ou através do banco; caso não o quisesse, deveria devolvê-lo pelo correio. Ocorre que, segundo aquele telefonema, seu pai só poderia testar o aparelho pelo prazo de uma semana. E o prazo se esgotou há quase um mês. Seu pai, velho e surdo, não entendeu as explicações do balconista, apesar de ter nascido no Japão e estudado neste país. Carlos vai embora bravo e nervoso de bicicleta para casa. Está nervoso e com a cabeça quente, prestes a estourar. No trajeto da fábrica até sua casa vai pensando numa forma de conversar seriamente com seu pai. Talvez já esteja na hora dele falar algumas “verdades”, mesmo que isso o machuque. Afinal, a vergonha que ele passou diante do chefe e de seus companheiros de fábrica foi demais. Mas, conforme vai se aproximando de sua casa, as lembranças de sua infância veem a sua mente : sua mãe morrendo de parto quando do nascimento de suas irmãs gêmeas. Sempre foi o seu pai quem se fez de mãe e pai, lavando suas roupas, cozinhando, dando-lhe banho, levando-o para a escola, cuidando dele quando ficava doente e acamado. O pai era exigente e rigoroso, mas nunca lhe faltou nada na mesa. O tempo passou e Carlos se tornou adulto. Em suma, veio a crise econômica no Brasil. Um dia Carlos teve que ir com sua família no Japão. No início foi duro, mas com o tempo, conseguiu algumas economias. Foi quando resolveu trazer o seu velho pai, que estaca doente, surdo e sem ninguém para cuidá-lo. Quando Carlos foi buscá-lo no aeroporto de Narita (Tokyo), seu coração palpitou e se lembrou do dia de sua formatura no colégio, seu pai de terno e gravata sorrindo e olhando para ele. Agora era a sua hora de retribuir tudo o que ele lhe fez. Desde então, procura não trabalhar horas extras, a fim de voltar mais cedo para casa e levar o pai na garupa de sua bicicleta até o supermercado para fazer compras. Muitas vezes seu pai resmungando e reclamando que o filho não lhe dá a devida atenção. Carlos não lhe dá atenção, pois ele também, quando criança vivia se queixando da escola e de seus afazeres. De repente, Carlos olha ao seu redor e vê que já chegou a sua casa. A luz lá dentro está acesa e tudo parece nebuloso e embaraçado. Só, então, ele se dá conta de que seus olhos estão cheios de lágrimas. Percebe que a sua raiva já passou e que está chorando! Procura se refazer, pois afinal lá dentro estão a sua esposa, os filhos e seu querido pai. Limpa as lágrimas, dá uma volta pelo quarteirão. Na esquina compra aquela comida que seu pai tanto adora e minutos depois adentram o apartamento onde está o seu maior tesouro: sua família e o seu velho pai!!!!!!

(história verídica) (nishifa@kuwana.ne.jp) (Juliana)

A dor de perder um pai é como despertar de um pesadelo e descobrir que você perdeu seu herói ,seu melhor amigo, que te deu tudo que ele não teve, que não mediu sacrifícios para você estudasse e sempre torceu para você ser feliz e ter sucesso na vida e conseguisse ter uma família, a sua família  como ele teve a dele ,podiam haver diferenças,desencontros algumas vezes mas no final sempre sobrava respeito, amor e lembranças que ficarão para toda a vida… Se você ainda tem seu pai vá até ele agora mesmo dê-lhe um abraço e diga pai eu te amo ! Obrigado por me ensinar tanto e fazer de mim quem sou hoje .

 anjo